sábado, 28 de novembro de 2009

Cirurgia de diabetes

Especialistas indicam redução de estômago para diabetes

GABRIELA CUPANI
da Folha de S.Paulo

A SBCB (Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica) acaba de divulgar um documento com um posicionamento oficial sobre a cirurgia para tratamento de diabetes. O consenso, baseado em evidências científicas, pretende nortear o uso da cirurgia bariátrica no tratamento do diabetes.
"Foi discutido e revisado tudo o que já se sabia e tinha sido observado na prática clínica", diz Thomas Szegö, presidente da SBCB. "Os benefícios da cirurgia nos diabéticos já eram observados, mas nunca havia sido feita uma discussão científica dessa maneira."
"Há uma melhora da doença mesmo...
Leia o restante aqui

  • Na teoria tudo vai bem. O duro é que mesmo pessoas com diabetes moderado, sem obesidade importante, que podem se controlar com dietas principalmente e com hipoglicemiantes orais, querem fazer a cirurgia.Tenho uma paciente, nessa situação, que fez, mesmo com o meu conselho e do seu endocrinologista para que não o fizesse. E o cirurgião operou...

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Praga das árvores

Finalmente o Diário da Região se rendeu à praga das árvores em Rio Preto e publicou uma matéria sobre o assunto. Veja aqui. Embora com boas intenções faltou explicar muita coisa. Segundo o biólogo citado, a umidade excessiva favorece a proliferação de fungos e percebemos como as questões climáticas estão interferindo nas espécies. Só não disse que essa é uma espécie de várzea da Amazônia, como comprova a folha do livro do professor Harri Lorenzi, e está portanto acostumada a altos índices de umidade. Para quem não se lembra várzea é aquela área inundável ao lado do rio, onde na Amazônia se planta feijão e melancia na seca e em São Paulo se jogava futebol, antes da especulação imobiliária. Por isso o termo futebol de várzea.

O grande problema é o (mau) planejamento da arborização urbana, dado a modismos ou a descaso. Muitas vezes só se produz um determinado tipo de muda e esquece-se que só com variedade, as nossas árvores terão saúde. Já há alguns anos atrás, na moda da Sibipiruna, uma praga quase extinguiu as espécies da cidade.

É uma pena, na Famerp existem vários indivíduos como estes, de grande porte. Espero que não fiquem doentes também.

Tirado de Árvores do Brasil, de Harri Lorenzi.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Elas

Elas costumam ser de meia idade, embora as encontremos também em uma ampla faixa, que vai desde os vinte até os oitenta anos. São mães – na sua esmagadora maioria – mas podem também ser avós, tias, tias-avós, irmãs mais velhas e mesmo irmãs menores.

Em comum o fato de se preocuparem demais com os seus filhos, netos, sobrinhos, sobrinhos-netos e irmãos, assim mesmo, no masculino, mas lembrando que diz respeito aos dois sexos. Algumas até reconhecem o exagero e querem mudar, outras reconhecem, mas não conseguem ou não querem e felizmente poucas, nem se reconhecem como tal.

Uma chegou a me dizer: “- Não vivo a minha vida, vivo a dos meus filhos!”
Reclamam que não tem tempo para si próprias, já que o pouco tempo é reservado para o bem estar de outrem. Por outro lado sofrem demais quando o ninho fica vazio, quando os pequenos pássaros batem as asas e as “esquecem”. Tem então, todo o tempo do mundo, mas não sabem como usá-lo, já que nunca foram prioridade de si mesmas.

Argumento que devem ter disciplina e reservar tempo para cuidar delas mesmas. Que só estando bem é que podem se ocupar dos outros e que não é egoísmo pensar no próprio bem estar. Que pré-ocupação deve ser trocada por ocupação, mas vejo que é difícil combater um comportamento atávico.

Como último recurso uso a metáfora das instruções de vôo. “Em caso de despressurização, máscaras de ar cairão automaticamente à sua frente. Puxe para liberar o fluxo e coloque sobre a boca e nariz. Se estiver acompanhado de criança ou indivíduo incapaz, coloque primeiro a mascara no seu rosto e só então coloque no seu acompanhante.

Uma ainda me disse que se acontecesse com ela, primeiro colocaria a máscara na criança...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

No metrô

O Dr. Mike Cummings me mandou uma prova de que um de nossos artigos tinha sido sucesso na terra da rainha (Clique nas imagens para ver melhor).
Ele, que é editor associado da revista Acupuncture in Medicine, se assustou ao ver uma notícia do artigo publicada no jornal do metrô de Londres. Ainda o gozei dizendo que já que estávamos tão famosos assim, eu iria me mudar para lá e abrir um consultório.

Pura ilusão. A reportagem não nos cita. Nem ao menos diz que a pesquisa foi feita no Brasil. Mas, mesmo assim, fica o registro.

Para matar a cobra e mostrar o pau.

domingo, 22 de novembro de 2009

Interiorização da medicina

Domingo é um dia de filosofar. Na verdade todo dia deveria ser, mas ficamos ocupados demais em coisas prosaicas, como por exemplo, ganhar o pão de cada dia. Então, sobra para o domingo.

Gostaria de discutir sobre um comentário feito pela leitora Helena, que sempre comparece com boas tiradas. Quando postei sobre a aprovação na Câmara Federal da lei regulatória da profissão médica, mal apelidada de “lei do ato médico”, ela postou o seguinte comentário, que reproduzo aqui, sem a preocupação de arrumar os acentos, que nem sei se são realmente tão úteis assim.

“Podia ter uma lei tambem pra que todo municipio fosse obrigado a formar medicos,afim de que pudessem trabalhar em suas proprias cidades, pelo menos por alguns anos. Ou então, uma lei que "incentivasse" os medicos recem formados a trabalhar no serviço publico tb por um certo periodo, considerando o "investimento" feito com dinheiro publico. Assim, com certeza, haveria medico em todo canto desse país, com qualidade e numero suficiente pra que pudessem seguir ao pé da letra a lei do ato médico, sem aumentar a burocracia e sem tornar o médico e tudo relacionado a ele, ainda mais inacessíveis do que já vêm sendo(pelo menos humanizadamente falando).”


Sempre me preocupei com a interiorização da medicina e por conseguinte, do médico. Já sabia, lendo o professor Gentile de Melo, ícone da saúde pública da minha geração, que em cidade que não tem banco, não tem médico.

Com isso ele queria dizer que a presença do médico em uma cidade dependia principalmente do desenvolvimento econômico local e de tudo que isso representa, desde condições para que esse mesmo médico exerça o seu ofício, como por exemplo, um hospital ou ao menos um centro de saúde bem equipado, com o mínimo de aparelhamento necessário, até as outras condições sociais, como escola para os seus filhos, possibilidade de aperfeiçoamento na própria profissão e mínimo conforto como telefone, televisão e hoje internet.

Na época de faculdade eu morava em São Paulo e andava com vários amigos que eram do interior. Por ironia do destino, eu vim para o interior e eles ficaram em São Paulo. A formação em medicina é muito demorada, oito a dez anos e isso cria um vínculo com o novo local.
Isso não acontece só com médicos, mas com dentistas, enfermeiros, engenheiros, advogados e mesmo em outras situações que não envolvam a universidade.

Um bom exemplo é a situação dos índios, de locais de difícil acesso. Acreditávamos que eles deveriam ser formados – na cidade - por exemplo, em monitores de saúde para retornar para suas comunidades. Entretanto a teia da cidade é muito forte e atrai aqueles que lá chegam e encontram melhores oportunidades de vida. Com o tempo percebemos que essa formação tinha que ser in loco.

Um certo general americano, ao final da primeira guerra mundial, comentou: “ – Como vamos devolver esses rapazes para as suas fazendas, agora que eles viram Paris?”

O Brasil transformou o seu perfil populacional de maneira dramática nestes últimos trinta ou quarenta anos. A maioria da população que era rural ou habitava em pequenas cidades se deslocou para os grandes centros, tanto no Sul-sudeste como no Norte-nordeste. Sempre em busca de melhores oportunidades. Querer que profissionais universitários façam o caminho inverso é complicado.

Posso falar por experiência própria, pois fiz esse caminho. Só consegui ficar em Rio Preto porque morei antes em Roraima e no Acre. Um lado cruel para o profissional que se interioriza é a desconfiança de parte da população – parte; não quero ser injusto.

Para uma população que está, literalmente, louca para sair de sua pequena comunidade, para viver no “glamour” de uma grande cidade, aquele profissional tem alguma coisa de estranho. Ou é meio louco ou é um mau profissional que não conseguiu espaço na maravilha da cidade grande.
Morei em uma pequena cidade da região e só granjeei o respeito da população quando comecei a trabalhar na faculdade de medicina da cidade grande. É duro, mas é verdade.

Quem quiser ver mais algumas discussões sobre o assunto, veja aqui

sábado, 21 de novembro de 2009

Dor

Um homem com uma dor
é muito mais elegante
caminha assim de lado
como se chegando atrasado
andasse mais adiante

carrega o peso da dor
como se portasse medalhas
uma coroa
um milhão de dólares
ou coisa que os valha

ópios édens analgésicos
não me toquem nessa dor
ela é tudo que me sobra
sofrer, vai ser minha última obra
(Paulo Leminski)

Sempre

Uma estória de amor. Preocupou-me a parte da acupuntura. Aqui